Organização, formação e ação devem orientar propostas nas oficinas temáticas
Dom Odilo Pedro Scherer
Vejo com grande esperança que muitos de vocês estão participando com entusiasmo do 1º Congresso Arquidiocesano de Leigos, agora já na sua 3ª etapa. Tenho a certeza de que os frutos serão abundantes e nossa Igreja poderá cumprir melhor sua missão nesta imensa e complexa metrópole paulistana com a participação corajosa e expressiva de vocês. Pelo batismo, vocês todos tornaram-se membros da Igreja e participam da sua vida e missão, cada um com o dom que Deus lhe deu. A Igreja conta com todos vocês. Os Ministros ordenados da Igreja estão a serviço da comunidade dos batizados, com vocês, no meio de vocês e à frente de vocês para ajudá-los e encorajá-los na vivência de sua vocação laical.
Nesta 3ª fase do Congresso, muitos grupos realizam as oficinas temáticas e em propostas para expressar melhor a participação do laicato na vida e na missão da Igreja em nossa Arquidiocese. Não se trata de resolver todos os problemas agora: este é o momento de pensar nas grandes propostas para a vida e a missão do laicato, as quais deverão ficar como fruto do Congresso e orientar as ações futuras. As oficinas temáticas sugerem formas de organização e ação dos leigos de acordo com suas missões na vida interna da Igreja, ou sua formação e atuação profissional no vasto mundo secular. Três questões principais deveriam ser levadas em consideração agora na elaboração das propostas para o laicato: organização, formação e ação.
A organização dos leigos é importante e necessária. A vida da Igreja e o desempenho de sua missão no mundo ganham quando os leigos se organizam em vista de sua formação e ação. Esta organização pode partir da formação e competência profissional dos leigos (na educação, ensino, pesquisa, saúde, comunicação, trabalho, empresa, na área do Direito…), ou das responsabilidades públicas que desempenham (na política, administração, serviços públicos, ação social…), ou dos âmbitos de sua atuação eclesial (na liturgia, catequese, família, juventude, caridade….). Pode partir ainda das várias faixas etárias (jovens, casais, idosos…), das organizações eclesiais que os congregam (pastorais, movimentos, comunidades novas, carismas da vida consagrada laical…), ou de interesses culturais (artistas, músicos, literatos, poetas…). E não esqueçamos que a família cristã é uma primeira e fundamental forma de agregação laical, que a Igreja abençoa, incentiva e defende. Agregações familiares também são muito necessárias. Estimulamos, pois, o surgimento de muitas novas formas de agregação de leigos em nossas comunidades, paróquias e na Arquidiocese, que receberão, assim, um sopro de vida nova e dinamismo. Que projetos específicos as oficinas temáticas vão apresentar para uma nova e variada organização dos leigos?
O segundo foco que as oficinas arquidiocesanas devem ter em conta, neste momento, é a formação dos leigos; somos tentados a partir logo para a ação, mas esta precisa ser iluminada pela convicção e a motivação, que nos vêm pela formação. Muitos projetos interessantes deveriam ser elaborados e propostos pelo Congresso para a permanente formação dos leigos: formação cristã geral, uma vez que o cristão leigo é, antes de tudo, um discípulo de Jesus Cristo e membro do seu Corpo, a Igreja. É necessário que os leigos estejam imbuídos por profundos sentimentos de fé, esperança e caridade, decorrentes do encontro pessoal com Jesus Cristo, que os cativou e encantou; para ser “luz de Cristo” no mundo, é preciso acender a própria luz em Cristo, que é a luz do mundo; para ser fermento e sal do Evangelho do reino de Deus, é preciso receber a força desse sal e fermento através da comunhão com Deus, do amor à Palavra de Deus e do conhecimento aprofundado da nossa fé, através do estudo do Catecismo da Igreja. Mas é preciso, além disso, que os leigos busquem uma formação específica em vista de sua tarefa e missão no vasto e mundo secular. Para tanto, é indispensável a reflexão crítica sobre a realidade, à luz da fé e da moral cristã, e o conhecimento do rico e variado patrimônio da Doutrina Social da Igreja. Isso requer estudo dedicado e constante. Que projetos específicos as oficinas temáticas vão apresentar para a formação dos leigos?
Enfim, o terceiro foco destas oficinas temáticas arquidiocesanas é a ação do laicato na Igreja e no mundo. O Congresso deverá elaborar e propor formas de ação organizada do laicato, de acordo com o carisma, as competências e a formação próprias de cada grupo. Talvez vem a tentação de querer resolver todas as questões de uma só vez… É preciso evitar a dispersão das energias. Seria bom que os projetos de âmbito arquidiocesano fossem abrangentes; projetos globais, para envolver a todos, deveriam ser poucos, mas incisivos e viáveis. As muitas organizações do laicato terão seus projetos específicos, conforme sugerido nas oficinas temáticas. As paróquias, regiões episcopais e a própria arquidiocese serão os espaços de articulação dessas propostas de ação.
Enquanto acontecem as oficinas arquidiocesanas, durante os meses de outubro e novembro, seria muito proveitoso se também nas paróquias e organizações de base da vida eclesial os leigos agora realizassem as mesmas oficinas temáticas, já feitas em âmbito regional; seria a ocasião e o processo metodológico propício para agregar os leigos pelas várias competências profissionais e responsabilidades públicas, bem como pelas diversas organizações eclesiais já existentes (pastorais, movimentos, associações etc). Se isso for feito, haverá novas agregações do laicato em âmbito local, indispensáveis para uma efetiva ação organizada dos leigos em âmbito arquidiocesano. O Manual do Congresso dá as orientações para a realização das oficinas.
Deus os abençoe e ilumine! Até breve, na conclusão do Congresso, dia 21 de novembro!
Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 27.09.2010
Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo