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Por que fazer um Congresso de Leigos?

por Assessoria última modificação 2011-01-20 10:53

Dom Odilo Pedro Scherer

Na solenidade patronal da Arquidiocese de São Paulo, dia 25 de janeiro, fizemos a abertura do 1º Congresso Arquidiocesano de Leigos, que será realizado ao longo de todo este ano. Algumas perguntas logo aparecem: Por qual motivo a Arquidiocese realiza um Congresso de Leigos? Onde se pretende chegar?

Antes de tudo, tenhamos presente a proposta temática do Congresso: “Cristãos leigos, discípulos e missionários de Jesus Cristo na cidade de São Paulo”. É semelhante ao grande propósito do 10º Plano de Pastoral da Arquidiocese e traduz o desejo de nossa Igreja de testemunhar o Evangelho e a vida nova, conforme o reino de Deus, na metrópole paulistana, com toda a sua complexidade, seus desafios e oportunidades. O tema, portanto, tem a ver com os motivos pelos quais nós somos católicos em São Paulo. Quem somos e o quê fazemos aqui, enquanto católicos? Qual é nossa missão? Temos algo a compartilhar com a cidade?

O lema vai ainda mais àquilo que os cristãos leigos e leigas, com a riqueza e a variedade de dons que receberam de Deus, são chamados a ser no meio da sociedade: “vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo”. São palavras de Jesus ditas a todos os seus discípulos, indicando que eles devem dar novo sabor à vida e à convivência humana com o sal, iluminando-a com a luz do Evangelho. A presença dos discípulos de Jesus na sociedade deve significar algo e levar algo para o enriquecimento e a transformação – em melhor – da vida neste mundo.

O Concílio Vaticano II nos recordou que, pelo Batismo, todos os cristãos tornaram-se membros do corpo de Cristo e passaram a fazer parte do povo de Deus: povo sacerdotal, profético e real. Todos os filhos da Igreja têm a mesma dignidade, que recebem de Cristo, cabeça do corpo da Igreja; e também participam, embora de modos diversos, da única e grande missão confiada por Jesus Cristo à Igreja: anunciar ao mundo o Evangelho e testemunhar a vida nova segundo o reino de Deus.

Os leigos participam das atividades internas da vida da Igreja e isso é sumamente bom e necessário. Mas eles têm, como vocação e missão própria, anunciar o Evangelho e testemunhar a vida nova em Cristo no exercício das funções temporais, ordenando-as segundo Deus. Vivendo na realidade secular, nas condições e situações comuns da vida familiar, exercendo sua profissão e o trabalho de todos os dias, participando de todos os aspectos da organização e da vida da sociedade, ali Deus os chama a fazerem o bem, guiados por espírito evangélico, e a contribuírem para a santificação do mundo; e assim eles manifestem Cristo aos outros, especialmente pelo testemunho de própria vida, cheia de fé, esperança e caridade (cf Vaticano II, LG 31).

Os leigos são especialmente chamados a tornarem presente e operosa a Igreja naqueles lugares e circunstâncias onde, apenas através deles, o sal, o fermento e a luz do Evangelho podem chegar. Desta forma, todos os leigos são, ao mesmo tempo, testemunhas e instrumentos vivos da própria missão da Igreja no mundo; a todos eles também incumbe o dever de trabalhar para que o plano divino da salvação atinja sempre mais a todos, em todos os tempos e lugares da terra (cf LG 33). Por isso, os leigos são chamados a ser membros vivos e operantes da Igreja, empregando todas as forças recebidas por bondade do Criador e graça do Redentor. O apostolado dos leigos decorre da sua própria vocação cristã e sua participação na missão da Igreja, nos modos que lhes são próprios, é absolutamente necessária, não podendo nunca faltar na Igreja (cf Vaticano II AA 1).

Através do Congresso de Leigos, a Arquidiocese de São Paulo convoca, portanto, todos os leigos e leigas, mas também o clero e os religiosos, a retomarem esses belos e profundos ensinamentos do Concílio vaticano II, para dar nova valorização e impulso à vocação e missão dos leigos na Igreja. De muitos modos, no período pós-conciliar, essas verdades foram repropostas pela Igreja, especialmente pelo papa João Paulo II na Exortação Christifideles laici, mas também pela CNBB e as Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano; mais recentemente, a Conferência de Aparecida recordou quanto importante que todos os cristãs, neste Continente, sejam, de fato, bons discípulos missionários de Jesus Cristo para que, nele, nossos povo tenham vida.

Ainda hoje, Nosso Senhor Jesus Cristo nos envia aos povos – ao povo de São Paulo – para proclamarmos o Evangelho a toda criatura; que o Congresso de Leigos seja uma ocasião para que todos os batizados a vivam, com novo e alegre apreço, a sua fé em Jesus Cristo e sua pertença à Igreja. Temos muito de bom para dizer e mostrar à cidade, contribuindo, desta forma, para tornar São Paulo uma cidade melhor, digna de Deus e digna de todos os seus filhos.

Que o exemplo dos cristãos leigos que se destacaram em nossa cidade sejam estímulo e exemplo para todos. Os bem-aventurados e santos que viveram em nossa cidade e a edificaram com seu trabalho e sua vida santa, Padre Anchieta e Padre Mariano, Madre Paulina e Frei Galvão, sejam companhia, exemplo e estímulo para todos!

Card. Dom Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo
25.01.10