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A Campanha da Fraternidade é Quaresma

por Assessoria última modificação 2012-02-07 12:23

pe. Augusto César Pereira, SCJ

A Campanha da Fraternidade é Quaresma

Já passou tempo suficiente para uma avaliação da Campanha da Fraternidade como Quaresma no Brasil.

Tenho ouvido de não poucas “pessoas da Igreja” reclamações de que a CF não cabe na Quaresma. Seria a CF alguma prática que teria sido imposta por algum setor influente. “Ficaria muito bem em outro tempo da Liturgia como o Tempo Comum que é tão vazio...”

Primeiro convém acertar os pontos de vista com relação ao Tempo Comum que não é absolutamente um período vazio à espera de alguma novidade que o possa preencher. Resumidamente se deve afirmar que o Tempo Comum é o período de aprofundamento da compreensão e vivência e construção do Reino, na ótica do Evangelho de cada ano.

Por outro lado, entendo que a CF cabe sim na Quaresma – e especialmente nela. Só que me parece estar mal colocada. Entendo que não está bem colocada considerando que a CF vem de fora e se liga à Quaresma por algum decreto. A expressão Quaresma “e” Campanha da Fraternidade sugere que a CF é um bom instrumento para se viver o espírito da Quaresma. Apenas “um instrumento”. A impressão é de que, se aparecer “instrumento” mais eficiente, será adotado sem dificuldade.

Porém a CF - por ser fraternidade – é essencial à Quaresma. A fraternidade é o primeiro e maior mandamento de Jesus Cristo. Portanto, antes de existir a Quaresma. É, pois a Quaresma, o “instrumento” ou o tempo propício a serviço da fraternidade.

Consideramos a Quaresma como um período favorável de apelo à conversão: pela reflexão da Palavra da Deus (oração); pela formação de nova mentalidade provocada pelos valores do Evangelho (penitência); pelo exercício do discernimento quanto ao uso dos bens (jejum); e pela renovada opção pelos pobres (esmola). Esta conversão, além de ser individual, tem forte incentivo comunitário. Tanto o estímulo individual quanto o comunitário remetem claramente ao mandamento da fraternidade. A fraternidade está indissoluvelmente ligada a todos os elementos desse processo quaresmal de conversão.

Por fim, com o objetivo maior de celebrar dignamente o Mistério Pascal de Jesus Cristo, a comunidade se compromete concretamente a concentrar suas forças em determinada situação onde a fraternidade é fragilizada. A transformação dessa realidade é o sinal de que a ressurreição acontece na vida dos irmãos pobres.

O transcurso de quase meio século comprova que a Quaresma, aliada à Campanha da Fraternidade como experiência testada e frutuosa, garante à Igreja Católica no Brasil um período de excelente e intenso vigor pastoral.

 

Pe. Augusto César Pereira SCJ

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