CNLB instrumento da Missão
Edson G P O Silva
CNLB como instrumento da Missão
Ao celebrar a festa de Cristo Rei neste dia 20 de novembro encerramos o calendário litúrgico do ano C sob a luz do Evangelho de Lucas. Também nesta festa litúrgica comemoramos o Dia Nacional dos Leigos e Leigas conforme a tradição iniciada pela Ação Católica. O simbolismo do da festa de Cristo Rei nos motiva a assumir a vocação sacerdotal, profética e pastoral-real como leigos e leigas operários do reinado da nova civilização do amor.
Ao concluir o ano litúrgico e o calendário civil é natural que façamos as nossas avaliações no âmbito comunitário, diocesano, regional e nacional. Os organismos eclesiais, dentre eles o Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB, também deve aproveitar e fazer o seu balanço a partir do que foi planejado para o ano de 2011.
Primeiramente retomar o planejamento do ano de 2011 e identificar: qual era o objetivo do CNLB Diocesano para o ano? Quais as ações propostas? Cumpridas e não cumpridas? Por quê? E as metas foram atingidas? Identificados os pontos positivos continuar reforçando-os no próximo planejamento. No caso dos pontos críticos, das fragilidades e dos desafios ainda presentes, precisamos analisar melhor a situação para identificar as causas que não permitiram o sucesso.
Esta avaliação é um primeiro passo para o planejar do próximo ano. Lembremos sempre que antes de planejar é preciso avaliar. O Documento 94 da CNBB (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora) nos aponta sete passos para um bom planejamento. A sugestão é incluir um oitavo passo “monitorar e avaliar”.
O CNLB Diocesano como organismo eclesial e representativo da articulação do Povo de Deus assume em comunhão plena com os ministros ordenados as diretrizes gerais da ação evangelizadora: Cristo é nosso pastor e mestre, a realidade sociocultural e eclesial nos desafia como cristãos missionários, as urgências da missão também são nossas urgências, planejar para cumprir de forma integral o compromisso de unidade na missão.
Seria desnecessário argumentar que o CNLB é um organismo fundamental para o cumprimento da missão evangelizadora. Mas nunca é demais retomar as palavras dos bispos latino-americanos no Documento de Aparecida e com a aprovação do papa Bento XVI que afirma: Reconhecemos o valor e a eficácia dos Conselhos paroquiais, Conselhos diocesanos e nacionais de fiéis leigos, porque incentivam a comunhão e a participação na Igreja e sua presença ativa no mundo. A construção da cidadania, no sentido mais amplo, e a construção de eclesialidade nos leigos, é um só e único movimento. (DAp. 215)
Para vivenciar a comunhão e efetivar a participação dos leigos na vida da Igreja e do mundo cada grupo de articulação de leigos (GAL) ou CNLB Diocesano deverá convocar uma reunião específica para o planejamento de 2012 e aplicar os oito passos já indicados.
Primeiramente reconhecer a realidade do organismo, da diocese, do território e da vida das pessoas com seus clamores ... “trata-se de colocar os pés no chão” (Doc. 94, 127). Segundo passo, identificar o ponto de chegada desejado pelo organismo. Sonhar com a utopia, evidenciar os sinais do Reino para o organismo, diocese, território e a vida das pessoas. A Igreja nos propõe o exercício do serviço da Palavra, da Liturgia e da Caridade a partir do âmbito da pessoa, da comunidade e sociedade. Recordemos que o laicato comprometido tem a dupla missão: corresponsabilidade eclesial e a prioridade a missão junto às realidades do mundo.
O terceiro passo é reconhecer as urgências pastorais do organismo em comunhão com toda a Igreja. Veja algumas urgências possíveis: criar o grupo de articulação de leigos onde não há; criar ou fortalecer o CNLB Diocesano; leigos e leigas evangelizando o laicato, em especial os que não são atingidos pela ação pastoral e comunitária; criar espaços comunitários e familiares de oração e formação; celebrar a fé e a vida por meio das novenas, grupos de rua, círculos bíblicos, leitura orante da Bíblia. Não se esqueça do horizonte, da utopia e do Reino, ou seja, onde queremos chegar: protagonismo do laicato como sujeito da missão!
O passo seguinte, o quarto, é estabelecer os objetivos geral e específicos. Para o CNLB Diocesano é o fortalecimento do laicato por meio de sua formação integral, vivência da espiritualidade encarnada e libertadora, na articulação com todas as forças vivas e organizativas do âmbito eclesial e sociocultural. Os objetivos do CNLB Diocesano não concorrem com os objetivos pastorais da Igreja. Somam-se num verdadeiro mutirão em favor da pastoral orgânica da Igreja local.
Dado estes passos vamos chegando próximos da ação propriamente. O quinto passo é para estabelecer as metodologias de ação: ação do laicato em função do Serviço, do Diálogo, do Anúncio e do Testemunho de Comunhão. Metodologias de formação: para os leigos em geral, para os leigos agentes de pastoral, para novos quadros de lideranças, entre outros. Metodologias de articulação: como envolver as pastorais, os organismos eclesiais, os movimentos e associações leigas, as inúmeras organizações da sociedade civil. Destaco as metodologias para comunicar: como divulgar, envolver, motivar o laicato a participação.
O passo seguinte, o sexto, é para construir um planejamento estratégico identificando as ações, dentro delas suas atividades específicas (como?), com cronograma (onde e quando?), definindo responsabilidades (quem?), os recursos necessários (humanos e financeiros) e principalmente as metas (resultados esperados)? Tudo isso deve envolver momentos e processos bem elaborados e acompanhados.
O penúltimo passo (ultimo passo indicado pelo Doc. 94 da CNBB) é proporcionar a renovação das estruturas. O CNLB Diocesano tem que ser “vinho novo em odres novos”: fortalecer o vinculo dos leigos com a vida da comunidade e da pastoral, renovar os quadros de lideranças e coordenadores, superar a cultura da manutenção para a cultura missionária e dialogo de forma madura e respeitosa com os ministros ordenados.
O ultimo passo é acompanhar todos os passos anteriores de forma contínua e crítica (monitorar) devendo fazer mudanças quando necessárias na proposta do planejamento e adequá-lo sempre que necessário. Ao final do próximo ano reunir todos os atores envolvidos e responsáveis pelo planejamento para uma grande e ampla avaliação.
Tenho plena certeza de que a avaliação final revelará o esforço de cada leigo e do organismo, como um todo, para que a missão da Igreja aconteça e os sinais do Reino se estabeleçam em nosso meio. Parabéns aos leigos e leigas, discípulos missionários de Jesus Cristo, atuantes nas múltiplas formas de organização do laicato, em especial nos CNLBs Diocesanos.
Edson G. P. O. Silva
Presidente do CLASP / CNLB São Paulo