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Profetismo dentro das estruturas eclesiais

por Assessoria última modificação 2011-10-10 07:59

César Augusto Rocha - CNLB Tianguá / CE

Como é difícil ser profeta dentro da própria Igreja, em algumas estruturas corroídas das sacristias. É mais cômodo olhar as grandes injustiças e situações de opressão nos porões da sociedade, do que vislumbrar os próprios erros, as próprias mazelas e equívocos. Depois de milênios de intolerância e autoritarismo, ainda não aprendemos a dialogar, a considerar nossas próprias falhas e limitações como etapas fundamentais no processo de amadurecimento pastoral. Aceitar essa realidade é o primeiro passo para ascendermos os degraus de uma compreensão mais apurada da fé cristã.

Existe um tipo de censura velada, e às vezes até escancarada, sobre aqueles que ousam questionar determinadas "verdades" tidas como invioláveis e inquestionáveis. Ora, tudo pode e deve ser questionado. Duvide sempre de uma fé que nunca foi provada pela dúvida! É vital, pois, superar determinadas barreiras culturais e eclesiais que nos separam e insistem em legitimar um modelo PIRAMIDAL e HIERARCOLÓGICO de Igreja.

O documento 62, Missão e Ministério dos Cristãos Leigos e Leigas, ratifica essa ideia apresentando a Igreja não mais como "hierarquia e laicato", binômio que mais distingue e separa do que une, mas sim como comunidade de carismas e ministérios. Pena que isso ainda não seja vivenciado em toda a sua concretude.

Para agravar ainda mais a situação, pesam sobre nós, leigos e leigas, séculos de submissão teológica e eclesial, "de objetificação e coisificação" e, por isso, infelizmente, grande parte ainda se considera como criança que deve ser levada pelas dóceis mãos do clero, como coisa (objeto) cujo ser vem de fora, cujo ser é dado pelos demais sujeitos eclesiais. Por isso, é tão difícil viver o profetismo diante dessa realidade.

Passados 50 anos depois do Concílio Vaticano II, podemos nos perguntar se já somos protagonistas ou se continuamos eclesialmente como ovelhas, medrosas e acuadas?!

Lamentavelmente, quando alguns leigos exercem atividades internas e mesmo ministérios a eles confiados, muitas vezes o fazem como uma sombra dos ministérios ordenados. Não se movem sem que o padre lhes diga para onde ir, o que fazer. Interessam-se pouco pela reflexão sobre sua vocação, buscando mais, e quase sempre somente, formação para as atividades pastorais, sendo esta, no mais das vezes, uma formação descontinuada, de baixa qualidade, servindo apenas para a execução adequada das atividades.

Até que ponto estamos interferindo nos rumos de nossa Igreja, em suas decisões e rumos? Nossas escolhas e opiniões, mesmo que desconcertantes para alguns, são ouvidas e refletidas?

Laicato teimoso e insistente esse nosso! Apesar de todas as pressões politicamente corretas dos que detém o poder, soberbo poder, ainda acreditamos na eclesialidade e na cidadania laical, e fazemos a santa madre Igreja avançar para águas mais profundas. São principalmente as comunidades, os romeiros e peregrinos, os devotos e agentes de pastoral, ministros da palavra e da eucaristia, missionários e missionárias; enfim, a incontável comunidade de leigos e leigas que sustenta o processo de evangelização aqui e acolá, nos pequenos e grandes centros.

As grandes mudanças que queremos para a sociedade precisam começar em nossas comunidades eclesiais e estruturas internas. Manter determinados conceitos e paradigmas é extremamente prejudicial para a construção do Reino de Deus que se inicia aqui e agora.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=61007